sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Epilogo

Para os que esperavam ansiosos, finalmente a parte final da saga de Ueniston e Daiane. Para quem aterrisou por aqui agora e quiser conferir o início da história, basta clicar aqui e aqui.


- Nome? - o delegado perguntou, dando um trago no cigarro, pra depois soltar uma generosa baforada.

Daiane abanou o ar, tentando dissipar a fumaça. O delegado olhou para o escrevente e perguntou mais uma vez.

- Daiane Venturinni... - ela respondeu, cara amarrada.

Risadas. O delegado coçou a careca e falou, ríspido:

- Eu falei nome, minha filha, e não pseudônimo!

O escrevente se escancarou:

- Pseudônimo... Essa foi boa, chefe!

Novas risadas. Começaram novamente.

- Sua graça, por obséquio?

- Robson - Daiane respondeu, "pra dentro".

- Perdão, mas nós não ouvimos!

- Robson Pereira da Silva! - "ela" respondeu, quase subindo nas tamancas.

O delegado e o escrevente se entreolharam e deram continuação ao depoimento.

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Daiane não acreditava no que via em volta. Já estava se sentindo a Julia Roberts em "Uma Linda Mulher", e agora lá estava, no meio de uma cela minúscula, dividindo o ar com pelo menos quinze cabeças. Não , aquele não era o seu dia!

Pegou a bolsa, abriu, tirou um espelhinho e se olhou. Merda, estava um bagaço! Parecia que tinha saído de um filme de terror! Dava tudo agora pelo seu estojo de maquiagem. Soltou um muxoxo, guardou o espelhinho e se sentiu observada. Do outro lado da cela, um negão piscava o olho e lhe mandava beijinhos. Tremeu. Definitivamente, ela não era a Julia Roberts...

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Ouviu quando o carcereiro se aproximou da grade e chamou:

- Você.

Era ilusão. Tava morta de fome. Já devia estar delirando.

- Você mesmo, senhorita! Vambora! O príncipe veio buscar a Cinderela.

Levantou-se depressa e saiu, esbaforida, em meio a assobios e gritinhos de "que pena!" e "volta quando, princesa?".

Quando entrou na sala do delegado, topou com ele. Edinho.

- O senhor está liberado, seu... - e o delegado pôs os óculos, pra conferir na ficha - Robson Pereira da Silva!

Não entedeu nada. Edinho tomou-lhe pelo braço e a saiu arrastando, rumo ao estacionamento. Pararam diante de uma BMW, os vidros insufilmados.

- O quê que tá pegando aqui?! - quis saber, imaginando as piores possibilidades.

- Entra logo e cala essa boca, porra! - Edinho disparou, cara de poucos amigos.

Daiane obedeceu. Quando entrou, não acreditou. Lá dentro, Ueniston, de óculos escuros, à sua espera. Sorriu e se aproximou.

- Meu amor...

- Aqui não! - ele se esquivou, pra pedir depois a Edinho - Toca logo, maluco! Mas, voando!

Edinho olhou pelo espelho e perguntou:

- Pra onde?

Ueniston respirou fundo, olhou pra Daiane e depois respondeu, meio sem graça:

- Pro meu apartamento.

Ela soltou o maior sorriso do mundo e fez menção de abraçá-lo. Parou no meio do caminho. Ali não.

Deu um sorriso meigo e ele retribuiu com um amarelo. Edinho, balançando a cabeça inconformado, tomou o rumo da Barra. Voando.

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